A Veja acertou. Mas esqueceu de falar sobre o verdadeiro futuro dos bares de vinho no Brasil
A capa da Veja São Paulo, na edição de 17 de julho, confirmou algo que, aqui no Grupo VENDA+VINHO, já vínhamos observando de perto há alguns anos: os bares de vinho estão em franca expansão pelo país. O vinho deixou de ser reservado a datas especiais e virou parte da rotina de quem busca uma experiência diferente para o happy hour, o encontro com amigos ou até um jantar a dois. Ambientes descontraídos, curadoria bem pensada, vinhos servidos em taça e uma gastronomia mais enxuta mudaram a forma como o brasileiro se relaciona com a categoria.
A reportagem está certa. Mas, na nossa visão, ela conta só metade da história.
O movimento não é só de São Paulo
A primeira coisa que precisa ficar clara: esse crescimento não é um fenômeno paulistano. Estamos vendo bares de vinho nascerem em capitais, em cidades médias e até em praças que, até pouco tempo atrás, ninguém apostaria como mercado para vinho. O consumidor brasileiro amadureceu. Ele busca experiência, quer aprender enquanto bebe, e perdeu o receio de entrar em um lugar especializado achando que “não vai entender nada do cardápio”.
Isso é ótimo. É a democratização de um universo que, por muito tempo, pareceu reservado a poucos.
A pergunta que a matéria não fez: abrir um bar é suficiente?
Aqui está a segunda observação, e ela é a mais importante de todas: será que apenas abrir um bar de vinhos garante um negócio sólido e rentável?
Na nossa experiência, a resposta é não.
Ao longo dos últimos anos, o Grupo VENDA+VINHO já analisou, mentorou ou acompanhou de perto quase cinco mil negócios ligados ao mercado de vinhos — lojas, importadoras, vinícolas, distribuidores, supermercados, restaurantes e bares. E existe uma conclusão que se repete quase sem exceção: os negócios mais consistentes são os que não dependem de um único canal de receita.
O bar de vinhos, isoladamente, é um ótimo ponto de partida. Ele aproxima o consumidor, estimula a experimentação, cria vínculo e entrega uma experiência que o supermercado nunca vai oferecer. O problema começa quando toda a operação fica presa a esse único formato — depender só do consumo dentro do estabelecimento significa depender do número de mesas ocupadas, da sazonalidade do movimento, dos custos crescentes de operação (aluguel, equipe, insumos) e da capacidade física do espaço, que não cresce junto com a demanda.
Um bar lotado numa sexta-feira e vazio numa terça não é um problema de marketing. É um problema de modelo de negócio.
O bar como centro de um ecossistema
É por isso que defendemos algo diferente: o bar não precisa ser o negócio inteiro. Ele pode — e deve — ser o centro de um ecossistema.
A mesma operação que serve uma taça hoje à noite pode, ao mesmo tempo:
- Vender garrafas para consumo em casa
- Operar uma loja física complementar
- Ter um e-commerce próprio
- Realizar eventos temáticos e degustações
- Oferecer cursos e vivências sobre vinho
- Criar um clube de assinatura
- Construir uma comunidade de clientes apaixonados pela categoria
Cada uma dessas frentes amplia a recorrência de compra, aumenta o ticket médio do cliente ao longo do tempo e — o mais importante — reduz a dependência de uma única fonte de faturamento. Se uma semana o movimento no salão cai, o e-commerce, o clube de assinatura ou um evento fechado seguram o resultado do mês.
Vender vinho é fácil. Construir relacionamento é o diferencial
Aqui está o ponto que separa um bar de vinhos qualquer de um negócio de vinhos que dura:
Quando um cliente participa de uma degustação, aprende sobre uma região produtora ou conhece a história por trás de uma uva, ele deixa de comprar apenas uma garrafa. Ele passa a comprar confiança, conhecimento e experiência. E cliente que vive uma experiência volta com muito mais frequência do que aquele que apenas consumiu um produto.
É essa diferença — entre vender um item e entregar uma experiência — que explica por que alguns bares de vinho enchem todo mês e outros vivem na corda bamba.
FIGIÊNCIA: físico, digital e experiência como um só sistema
No Grupo VENDA+VINHO, chamamos esse conceito de FIGIÊNCIA — a integração entre o físico, o digital e a experiência.
Na prática, funciona assim: o cliente conhece o seu negócio no bar. Compra uma garrafa para levar para casa. Continua sendo impactado pelo seu conteúdo nas redes sociais durante a semana. Recebe uma oferta pelo e-commerce. É convidado para um evento. Participa. Volta para uma nova experiência.
Cada ponto de contato fortalece o seguinte. O físico alimenta o digital, o digital traz o cliente de volta ao físico, e a experiência é o fio que costura tudo isso — transformando um consumidor ocasional em um cliente fiel, que gasta mais e indica seu negócio para outras pessoas.
O começo de um movimento, não o fim dele
A matéria da Veja mostra que os bares de vinho estão em alta agora. Nós acreditamos que isso é apenas o começo. O crescimento real do setor não vai acontecer só por conta da abertura de novos endereços — vai acontecer com os empresários que entenderem que o futuro não está em abrir um bar, mas em construir um modelo de negócio integrado, capaz de gerar relacionamento, recorrência e rentabilidade ao mesmo tempo.
O vinho deixou de ser apenas uma bebida. Hoje, ele é uma experiência. E os negócios que entendem isso param de competir por preço e passam a competir por valor — um jogo bem mais rentável e sustentável no longo prazo.
A pergunta certa para quem já está no mercado (ou quer entrar)
Se você já atua no mercado de vinhos ou pretende abrir um negócio nesse segmento, talvez a pergunta mais importante não seja “como abrir um bar de vinhos?”.
A pergunta certa é: “Como construir um negócio de vinhos preparado para crescer nos próximos anos?”
É exatamente essa resposta que construímos juntos no Diagnóstico 360. Nele, analisamos o seu modelo de negócio, seus canais de receita, seu posicionamento e sua experiência de compra — e identificamos oportunidades concretas para aumentar faturamento, margem e recorrência.
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